domingo, 5 de novembro de 2017

A pastorinha de gansos

A pastorinha de gansos

O rei de um grande reino morreu, e deixou sua rainha sozinha para tomar conta
de seu único bebê. A criança era uma menina, que era muito linda,
e sua mãe a amava profundamente, e era muito gentil com ela. E havia
uma fada madrinha também, que era bondosa para a princesa, e ajudava
a mãe a tomar conta dela. Quando ela cresceu, ela foi prometida a um
príncipe que vivia em uma terra muito distante, e conforme se aproximava
o tempo em que ela iria se casar, ela foi preparada para começar a sua
jornada. Então, a rainhã, sua mãe, empacotou coisas muito preciosas,
jóias e ouro, e prata, bibelôs, vestidos finos e em pouco tempo tudo o mais até que se tornou uma noiva real. E ela deu a princesa uma serva de companhia
para seguir viagem com ela, e a entregou nas mãos da noiva, e deu a cada um cavalo para a jornada. Agora, o cavalo da princesa era um presente da
fada madrinha e se chamava, Falada, e podia falar.
Quando chegou o tempo em que elas partiriam, a fada foi até o quarto da
princesa, e levou uma pequena faca, e cortou uma mexa de seu cabelo, e deu
a princesa e disse: "toma conta disso, criança, porque há um encantamento
que poderá ser usado por você na estrada". Então, a rainha e a fada lamentaram
a partida da princesa, e ela colocou a mexa de cabelo no seu lenço, subiu
no cavalo e partiu na sua jornada para reino do noivo.
Um dia, quando estavam passando sobre uma ponte, a princesa começou a sentir muita sede, e ela disse para sua dama, "desça e pegue um pouco de água
na minha taça dourada debaixo da ponte, que eu quero beber", "Não", disse
a dama, "se está com sede, vá você mesma, desça, pegue a água e beba;
eu não vou lhe servir mais." Então, ela estava com tanta sede que desceu
e pegou a água, e se apoiou sobre a pequenina ponte e bebeu, porque ela
estava com muita sede, e não ousou trazer a água com a taça dourada, ela se lamentou e disse: "Ah, o que será feito de mim?" E a mecha de cabelo respondeu.
"Céus, se a mãe soubesse como está
 triste, triste iria ficar"

Mas a princesa era muito gentil e aquiescente, então ela não disse nada para sua
dama sobre o seu mau comportamento, mas subiu no seu cavalo de novo.
Então, elas prosseguiram sua jornada novamente, até que o dia ficou tão
quente, o sol tão severo, que a noiva começou a sentir sede
novamente, e por fim, quando elas chegaram a um rio, ela se esqueceu das
palavras rudes de sua dama e disse, desça e pegue um pouco de água com
taça dourada. "Mas a dama respondeu ela, até mais grosseiramente que
antes: "Beba se você quiser, mas eu não vou ser mais sua dama de companhia".
Então, a princesa estava com tanta sede que ela desceu do cavalo, e se
abaixou e ficou apoiado sobre a curso de água, e chorou e disse, "O que será
de mim?" E o cacho de cabelo respondeu a ela de novo:

"Céus! se a mãe soubesse como está,
triste, triste, iria ficar."

E conforme ela abaixou para beber, o cacho caiu de sua bolsa, e foi embora na
correnteza. Agora, ela estava com tanto medo, que ela não podia nem olhar,
mas sua dama viu, e ficou muito feliz, porque ela conhecia o encantamento,
e ela viu que a pobre noiva estaria em seu poder, agora, que ela tinha perdido
a mecha de cabelo. Então, quando a noiva acabou de beber, e iria montar
Falada de novo, a dama disse, "eu vou monta Falada, e você vai no meu cavalo",
então ela foi forçada a desistir do cavalo dela, e logo depois de suas
roupas reais e colocar as roupas de sua dama.

Por último, conforme elas se aproximavam do fim da jornada, essa serva infiel
ameaçou matar a princesa se ela dissesse a alguém o que aconteceu. Mas,
Falada viu tudo, e marcou isso bem.
Então, a serva montou Falada, e a princesa real sobre o outro cavalo,
e elas foram no seu caminho até que chegaram a corte real. Houve muita
alegria na chegada delas à corte, e príncipe correu para encontrá-las,
desceu a dama de companhia de sua cavalo, pensando que era ela que devia ser sua esposa;
e ela foi levada lá para cima para o salão real, mas a verdadeira
princesa foi mandada ficar na corte abaixo.
Agora, o velho rei como não tinha nada o que fazer, então ele se sentou na
janela da sua cozinha para ver o que estava acontecendo e ele a via em
sua tarefa. Ela era tão bonita e tão delicada para ser uma serva de companhia,
que ele subiu foi ao salão real e perguntou a noiva quem ela trouxe com
ela, assim qu e não foi deixada na corte. "Eu a trouxe comigo para segurança
minha na estrada", ela disse, "dê a garota algum trabalho para fazer, assim
ela não vai ficar ociosa". O velho rei pensou em algo que ela poderia fazer,
mas não conseguia ver nada, e por fim, ele disse: "eu tenho um garoto
que toma conta dos gansos, ela pode ajudá-lo". Agora, o nome desse garoto,
que a noiva verdadeira iria ajudar em olhar os gansos do rei, era Curdken.
Mas a falsa noiva disse para o princípe, "querido marido, faça um gesto de
gentileza para mim. "Claro que sim", disse o príncipe. "Então diga aos seus
servos para cortar a cabeça do cavalo que eu montei, porque estava muito
selvagem, e quase me causou um acidente horrivel na estrada", mas a verdade era que ela tinha
muito medo que Falada fosse um dia ou outro falar, e contar tudo o que
tinha acontecido com a princesa. Ela foi até as últimas consequências e o fiel
Falada foi morto, mas a quando a princesa verdadeira ouviu isso, ela lamentou
e implorou ao homem para colocar a cabeça de Falada em um portão da cidade,
pelo qual ela tinha que passar toda manhã e toda tarde, e então, ela poderia
vê-lo algumas vezes. Então, o servo disse que faria conforme ela pediu,
e cortou a cabeça e a colocou no portão.
Na manhã seguinte, quando ela e Curdken sairam pelo portão, ela disse
tristemente:

"Falada, Falada, olha você aí, com
a cabeça pendurada"

e a cabeça respondeu:

"noiva, noiva, olha você aí amarrada!
Céus!  se a mãe soubesse disso,
Triste, triste, ia ficar a coitada"

Então, eles saíram da cidade, e levaram os gansos juntos. Assim que chegou
no pasto, ela se sentou num banco lá, e soltou seu cabelo ondulado, que era
de pura prata, e quando Curdken viu brilharem no sol, ele correu, e teria
puxado o cabelo dela, mas ela disse apressadamente:

"sopra, vento, sopra,
leva o chapéu de Curdken
vai, vento, leva
Deixa ele ir correr atrás
nas colinas, campos, e pedras,
até que os cachos de prata
estejam penteados e presos".

Então veio um vento tão forte que soprou o chapéu de Curdken, e levou ele bem longe subindo morro: e ele foi forçado a se virar e correr atrás dele, até o tempo que quando ele voltou, ela já tinha penteado e preso o cabelo; e colocado-o em segurança novamente. Então, ele ficou com muita raiva e não falou mais com ela, mas eles observaram os gansos até que foi ficando escuro, e então voltaram.
Na manhã seguinte, quando estavam passando pelo portão, a pobre garota olhou para a cabeça de Falada, e disse:

“Falada, Falada, olha você aí pendurado”
E a cabeça respondeu:
“Noiva, Noiva, olha você aí amarrada!
Céus! Céus! Se a mãe soubesse,
Triste, Triste, ia ficar!

Então, ela guiou os gansos, e se sentou de novo, e começou a pentear seu cabelo como antes, e Curdken correu até ela, e queria segurar o seu cabelo, mas ela falou rapidamente:

"sopra, vento, sopra,
leva o chapéu de Curdken
vai, vento, leva
Deixa ele ir correr atrás
nas colinas, campos, e pedras,
até que os cachos de prata
estejam penteados e presos".



Então, o vento veio e levou seu chapéu para bem longe, por cima dos morros
e campos, que ele teve que correr atrás dele, e quando ele voltou, ela
já tinha se penteado novamente, e tudo estava seguro. Então, eles
observaram os gansos até escurecer.
No fim da tarde, depois que retornaram, Curdken foi ao velho rei, e disse:
"Eu não quero que aquela estranha garota me ajude mais com os gansos".
"Por quê?", disse o rei. "Porque ao invés de fazer qualquer coisa de bom,
ela só provoca o dia inteiro". Então, o rei fez ele dizer o que tinha acontecido.
E Curdken disse: "quando de manhã, nós passamos pelo portão da cidade,
com nossos gansos, ela se lamenta e fala com a cabeça do cavalo que está
pendurada na parede e diz:
"Falada, falada, olha você aí,
com a cabeça pendurada,

e a cabeça responde:
“Noiva, Noiva, olha você aí amarrada!
Céus! Céus! Se a mãe soubesse,
Triste, Triste, ia ficar!


E Curdken continuou contando ao rei o que acontecia no pasto, onde os
gansos comiam, como seu chapéu voava, e como era forçado correr até ele,
e deixar os gansos ali. Mas o velho rei disse ao rapaz para ir de novo no
dia seguinte, e quando a manhã chegou, ele se colocou atrás do portão, e
ouviu como ela falava com Falada, e como Falada respondia. Então ele foi para
o campo e se escondeu em um arbusto próximo ao pasto, e ele viu com seus
próprios olhos como eles levavam os gansos, e como, depois de um pouco tempo
ela deixava seu cabelo brilhar no sol. E então ele ouviu ela dizer:
"sopra, vento, sopra,
leva o chapéu de Curdken
vai, vento, leva
Deixa ele ir correr atrás
nas colinas, campos, e pedras,
até que os cachos de prata
estejam penteados e presos".

E rápido veio uma ventania que levou o chapéu de Curdken embora,
enquanto a garota penteava e enrolava o seu cabelo. Tudo isso o rei viu e
ele foi para casa sem ser visto, e quando a pastorinha de gansos voltou naquela
tarde, ele a chamou a parte, e perguntou a ela porque ela fez isso, mas
ela caiu em lágrimas, e disse, "eu não devo dizer a você ou a qualquer
homem, ou eu perderei minha vida,"
Mas o velho rei implorou tão fortemente que ela não teve paz até que
contou a ele toda a história, do começo ao fim, palavra por palavra.
E foi muito sorte dela que ela o fez, porque então o rei mandou colocarem
roupas reais nela, com tanta admiração, que ela estava muito linda. Então, ele chamou seu filho e
disse a ele que ele tinha uma falsa noiva, porque ela era só a dama-de-
companhia, enquanto a verdadeira noiva o aguardava. E o jovem rei se regozijou
quando ele viu sua beleza, e ouviu quão aquiescente e paciente ela tinha sido;
e sem dizer qualquer palavra a falsa noiva, o rei ordenou um grande banquete
para ser oferecido a toda corte. O quarto da noiva ficava em cima, com
a falsa princesa de um lado, e a verdadeira princesa de outro, mas ninguém
podia vê-la de nova, porque sua beleza era totalmente reluzente para seus
olhos; ela não parecia mais uma pastorinha de gansos, agora que ela tinha
um vestido brilhante.

Quando todos eles tinham comido e bebido, e estavam bem felizes, o velho
rei disse que contaria a eles uma história. Então, ele começou, e contou
toda a história da princesa, como se essa fosse das que ele tivesse escutado,
e perguntou a verdadeira dama de companhia o que ela imaginava que deveria
ser feito com qualquer um que se portasse assim. "Nada mais", disse a
falsa noiva, "do que ela deveria ser amarrada com cordas a uma carruagem,
para que fosse puxada por dois cavalos brancos, indo de rua em rua, até
que estivesse morta". "Assim ela diz!", disse o velho rei, "e como
você julgou a si mesma, assim será feito então", e jovem rei foi então casado
com sua noiva verdadeira, e eles reinaram sobre o reino em paz e felicidade
todas as suas vidas, e a boa fada veio vê-los, e restaurou a vida do fiel
Falada de novo.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Rumpelstiltskin

     Perto de um bosque, em um país muito distante, corria um riacho, e na cabeceira desse riacho, havia um moinho. A casa do moleiro era perto do moinho, e o moleiro, como você deve imaginar, tinha uma bela filha. Ela era, além disso, muito habilidosa e determinada; e o moleiro era tão orgulhoso dela, que um dia disse ao rei daquele lugar, que costumava aparecer para caçar no bosque que sua filha poderia tecer ouro de palha. Agora, o rei que era muito afeiçoado ao dinheiro, quando  ouviu a gabolice do moleiro sua ganância foi despertada, e disse que a garota deveria ser levada diante dele. Então, deu a ela um quarto no seu palácio onde havia um grande feixe de palha e um tear, e disse: "Tudo deve virar ouro antes de amanhã, se você ama sua vida". Foi em vão que a pobre donzela disse que era somente uma brincadeira infeliz de seu pai, porque ela não podia fazer tal coisa de tecer ouro de palha: a porta do quarto foi trancada e ela foi deixada sozinha.
     Ela sentou-se em um canto do quarto, e começou lamentar seu triste destino; quando de repente a porta abriu e um droll que parecia um homenzinho pequeno entrou e disse: "Tudo bem, aí garota, o que anda fazendo? "Ah, pobre de mim", ela disse, "eu devo tecer essa palha em ouro, e eu não sei como". "O que você me dará", disse a aparição, "se eu fizer isso para você?" "Meu cordão", disse a donzela, ele concordou, e pegou toda a palha e sentou-se perto da roca e cantava e assobiava:

Roca, roda, vai fiar

por aqui, dessa forma

logo se transforma

palha em ouro a brilhar


     E fiando com a roca, divertidamente, o trabalho estava rapidamente terminado, e a palha foi toda transformada em ouro.  
     Quando o rei veio e viu isso, ficou enormemente atônito e prazeroso,
mas em seu coração crescia mais e mais a sede de ganho, e ele trancou a pobre filha do moleiro de novo com uma nova tarefa. Então, ela viu que não podia realizar aquilo, e sentou-se mais uma vez para chorar, mas o anão logo abriu a porta, e disse: "O que você me dará para fazer sua tarefa?" "O anel no meu dedo", ela disse. Então, seu pequeno amigo pegou o anel, e começou a trabalhar na roca de novo, e assobiava e cantava

Roca, roda, vai fiar

por aqui, dessa forma

logo se transforma

palha em ouro a brilhar


até que, muito antes de amanhecer, tudo estava terminado de novo.
     O rei estava maravilhado de ver todo aquele tesouro reluzente, mas ele ainda não tinha o suficiente, então ele pegou e deu a filha do moleiro uma pilha ainda maior para fiar e disse: "Tudo deve estar tecido esta noite, e se estiver, você será minha rainha.". Tão logo estava sozinha, aquele anão entrou e disse: "o que você vai me dar se eu tecer ouro para você pela terceira vez?""Não me sobrou nada", ela disse. "Então, você me dará", disse o pequeno homem, "o primeiro filho que tiver quando for rainha". "Isso nunca", pensou a filha do moleiro; e como ela não sabia outra maneira de ter a tarefa terminada, ela disse que faria o que ele pediu. Aproximou-se, o homúnculo então, da roca de novo para a velha canção, e mais uma vez teceu a palha em ouro. O rei chegou na manhã, e encontrando tudo que ele queria, foi forçado a manter sua palavra. Então, ele se casou com a filha do moleiro, e ela realmente se tornou rainha.
     No nascimento da sua primeira criança, ela estava tão feliz que esqueceu o anão e o que ela havia dito. Mas, um dia ele entrou no seu quarto, onde ela estava brincando com o seu bebê, e lembrou a ela do ocorrido. Então, ela se afligiu penosamente, e disse a ele que daria toda a riqueza do reino, se ele deixasse o seu bebê, mas em vão, até que suas últimas lágrimas o amaciaram para dizer: "Eu vou lhe dar três dias, e se durante esse tempo, você disser meu nome, eu deixarei você ficar com a criança". Agora, a rainha ficava acordada toda noite, pensando todo tipo de estranhos nomes que ela já ouviu, e enviava mensageiros por toda a parte para descobrir nomes novos. No dia seguinte, o homenzinho veio, e ela começou com TIMOTHY, ICHABOD, BENJAMIM, JEREMIAH, e todos os nomes que ela poderia se lembrar, para todos e a cada um ele dizia: "Madame, esse não é meu nome".
     No segundo dia, ela começou com todos os nomes cômicos que ela pôde ouvir, PERNAS-ARQUEADAS, CORCUNDA, PÉ TORTO, e assim por diante, mas o pequeno cavalheiro ainda dizia para cada um desses: "Madame, esse não é o meu nome".
     No terceiro dia, um dos mensageiros voltou e disse: "eu tenho viajado por dois dias, sem ouvir qualquer nome novo, mas ontem, como eu estava subindo uma montanha alta, entre as árvores da floresta, onde a raposa e a lebre dão boa noite uma para a outra, eu vi uma pequena cabana, e diante dela um fogo, e junto ao fogo, um anãozinho engraçado estava dançando sobre uma perna e cantando:

Divertidamente, banquete vou ter
Sim, por hoje, cozinhar, amanhã, assar
Divertidamente, cantar e dançar
No dia seguinte, um estranho trazer
Um pequeno faz a dama se apavorar
Rumpelstiltskin é como deve me chamar!


     Quando a rainha ouviu isso, ela pulou de alegria, e tão logo seu pequenino amigo chegou ela se sentou no seu trono, e chamou toda a corte para se divertirem; e a empregada aguardava do seu lado com o bebê nos braços, como se estivesse totalmente preparada para desistir. Então, o pequeno homem começou a dar um risinho com o pensamento de ter a pobre criança, de levá-la com ele para sua cabana na floresta, e disse, "Agora, madame, qual é o meu nome?" "É JOHN?", ela perguntou, "não, madame", "é TOM?", "não, madame!" "É JEMMY?". "Não é". "Será que seu nome pode ser RUMPELSTILTSKIN?" disse a dama dissimuladamente. "Alguma bruxa disse a você!", gritou o pequeno homem, e chutou o chão com seu pé direito com tanta força que foi forçado a segurá-lo com as duas mãos, enquanto pulava com outra perna.
     Então, sem ter como continuar ali, ele se ajeitou como podia para ir embora, enquanto a empregada se alegrava e o bebê emitia sons de satisfação, enquanto a corte toda ria dele por ter tido tanto trabalho por nada e disseram: "Nós lhe desejamos uma boa manhã, e um ótimo banquete, Sr. Rumpelstilstkin."












sábado, 10 de junho de 2017

Os Três Ursos

Os Três Ursos

     Bem distante daqui havia uma garotinha que se chamava Cabelo de prata, porque seu cabelo enrolado brilhava como a prata. Ela estava em uma triste impaciência, e tão sem descanso que não podia ficar quieta em casa, mas necessitava correr e correr para longe, sem parar.
     Um dia, ela começou a entrar em uma floresta para colher flores selvagens, dentro dos bosques para capturar borboletas. Ela corria de um lado para outro, e foi tão longe, que por fim, se achou sozinha em um lugar solitário, onde viu uma pequena cabana discreta, em que viviam três ursos, mas eles não estavam em casa.
     A porta estava encostada, e Cabelo de Prata empurrou e a porta abriu e encontrou o lugar  totalmente vazio, então decidiu que iria entrar e olhar, pouco pensando que tipo de pessoas viviam ali.
      Os três ursos haviam saído para suas caminhadas um pouco antes. Eram o Urso Grande, o Urso de tamanho Médio, e o Urso pequeno, mas todos eles tinham deixado seus mingaus sobre a mesa para esfriar. Então, quando Cabelo de Prata chegou na cozinha, ela viu três tigelas de mingau e provou da tigela maior, que pertencia ao Urso grande, achou que estava muito frio, então provou da tigela mediana, que pertencia ao Urso de tamanho médio, achou que estava muito quente, então ela provou da tigela menor, que pertencia ao Urso pequeno, achou do seu gosto, e ela comeu tudo.
     Ela foi até a sala de estar e lá havia três cadeiras. Ela tentou se sentar na cadeira maior, que pertencia ao Urso grande, achou muito alta, então ela tentou a cadeira mediana, que pertencia ao Urso de tamanho médio, achou muito ampla, e então ela tentou a pequena cadeirinha, que pertencia ao pequeno urso, achou do seu gosto, e sentou nela com tanto vigor que a quebrou.
     Agora, Cabelo de prata estava por essa altura, muito cansada, e foi para cima, para o quarto, e então ela achou três camas. Ela tentou a cama maior, que pertencia ao Urso Grande, achou macia demais, tentou a cama mediana, que pertencia ao Urso de tamanho médio, achou muito dura, e então ela tentou a caminha menor, que pertencia ao Urso pequeno, achou do seu gosto, tanto que deitou nela, e acabou caindo no sono.
     Enquanto Cabelo de prata estava dormindo, os três ursos voltaram da caminhada. Eles
chegaram na cozinha, para pegar o mingau, mas quando o Urso grande foi para o dele,
ele rugiu alto:
   “ALGUÉM PROVOU DO MEU MINGAU ”
   E o Urso médio olhou  para sua tigela e disse:
    "Alguém provou do meu mingau"
   E o Urso pequeno mussitou:
   "Alguém provou do meu mingau e comeu tudo."
    Então eles foram para a sala de estar e o Urso grande rugiu:
    “ALGUÉM SENTOU NA MINHA CADEIRA ”
    E o Urso médio disse:
    "Alguém sentou na minha cadeira"
     E o Urso pequeno mussitou:
    "Alguém sentou na minha cadeira e a quebrou em pedaços!"
     Então, eles subiram as escadas e foram para o quarto, e o Urso grande rugiu alto:
     "ALGUÉM DEITOU NA MINHA CAMA"
     E o Urso médio disse:
     "Alguém deitou na minha cama"
     E o Urso pequeno mussitou:
     "Alguém deitou na minha cama e olha ela aí"
     Nesse instante, Cabelo de Prata acordou em um supetão, pulou pela janela, e correu tão depressa quanto suas pernas poderiam levá-la e nunca mais  chegou perto da cabana dos Três Ursos de novo.

domingo, 23 de abril de 2017

Barba azul

     Havia um homem que tinha lindas casas, algumas na cidade, outras no campo, e baixelas de ouro e prata, móveis de brocado, e casacos cobertos de ouro. Mas esse homem não tinha sorte porque tinha a barba azul, o que o tornava tão fantasmagoricamente feio que todas as mulheres e garotas fugiam dele. 
     Uma de suas vizinhas, uma dama de qualidade, tinha duas filhas que eram perfeitas lindezas. Ele desejou ir na casa dela pedir uma das duas em casamento, deixando que ela escolhesse qual das duas lhe honraria. Nenhuma delas queria, e empurravam ele uma para a outra, não sendo capaz de suportar a ideia de casar com um homem que tinha a barba azul e que além do mais, causava desgosto e aversão ele já ter sido casado com inúmeras esposas, e ninguém sabia o que havia sido feito delas.
     Barba azul para ganhar a afeição delas, as levou junto com sua mãe e três ou quatro amigas das moças, com outras pessoas jovens da vizinhança, para uma de suas casas do campo, onde eles ficaram por uma semana. Não havia nada para fazer a não ser se entreter de diversos jeitos, como caçar, pescar, dançar, ficar de gaiatices e banquetes. Ninguém ia para a cama, mas todos passavam a noite em divertimentos e brincando um com o outro. Em pouco tempo, tudo correu tão bem que a mais nova começou a achar que o anfitrião não tinha a barba tão azul, e que ele deveria ser mesmo um cavalheiro.
    Tão logo eles retornaram para casa, o casamento foi concluído. Depois de um mês, Barba azul disse a sua esposa que ele estava obrigado a viajar pelo país uma viagem de seis semanas no mínimo, para tratar de negócios de grande importância, desejando que  ela se divertisse na sua ausência, enviá-la ia amigas e pessoas chegadas, para levá-la ao campo se isso a agradasse, e fazer boa figura onde quer que estivesse.
     "Aqui", ele disse, "estão as chaves dos dois salões, onde eu tenho minha melhor mobília, essa meus talheres de ouro e prata, que não é para o dia-a-dia, essa abre meu caixa forte, onde guardo meu dinheiro, essa, minhas gavetas de joias, e essa é a chave mestra de todos os apartamentos. Mas, essa pequenininha aqui, é a chave do closet no final do corredor do primeiro andar. Abra todas eles, vá em todos, exceto aquela portinha, que eu proíbo você, e proíbo de tal maneira que, se acontecer de você abrir, não há nada que não possa esperar de minha ira e ressentimento"
     Ela prometeu observar, muito exatamente o que ele tinha ordenado, quando ele, depois de tê-la abraçado, entrou na sua carruagem e procedeu viagem. Os seus vizinhos e amigos não paravam de vir até a nova recém-casada, tão grande era a impaciência deles para ver toda aquela rica mobília da casa, não se atrevendo a ir quando o marido estava lá, por conta de sua barba azul, e do gelo que lhes causava aquilo. Eles percorreram todos os quartos e salões, que era tudo tão fino e rico que tinham medo que o próximo quarto não poderia superar.
     Depois que eles chegaram aos dois salões, onde estava a melhor e mais rica mobília, eles não conseguiam deixar de admirar o número e a beleza da tapeçaria, camas, colchas, mesas e espelhos que se poderia se ver dos pés a cabeça, alguns eram emoldurados com vidro, outros com prata, outros com ouro, os mais finos e magníficos já vistos.
     Eles não paravam de exaltar e invejar a felicidade de sua amiga, que nesse tempo, de maneira nenhuma se divertia, olhando todas as aquelas ricas coisas, por conta da sua impaciência ela teve que sair e abrir o closet no primeiro andar. Ela estava muito ansiosa pela sua curiosidade que, sem considerar que era uma incivilidade deixar a companhia dos amigos, ela dirigiu-se para a pequena escada, e com tão excessiva pressa, que por duas ou três vezes ela teria quebrado o pescoço.
      Chegando a porta do closet, ela fez uma parada por algum tempo, pensando nas ordens de seu marido, e considerando a infelicidade que poderia vir se ela fosse desobediente, mas a tentação foi tão forte que ela não pôde suportar. Então, ela pegou a pequenina chave, e abriu, tremendo, mas não podia ver nada concretamente porque as janelas estava tapadas. Depois de algum tempo, ela começou a perceber que o chão estava coberto com sangue coagulado, que escorriam dos corpos de muitas mulhereres, amarradas que pendiam das paredes. (Essas eram todas as esposas que Barba azul havia se casado e assassinado, uma após a outra). Ela pensou que ela morreria de medo, e a chave, quando tirou da fechadura, escapuliu da sua mão.
     Depois de ter se recobrado, ela pegou a chave, trancou a porta, e foi para cima para o seu quarto para se recompor, mas não pôde, o tanto que estava aterrorizada. Tendo observado que a chave do closet estava marcada com sangue, ela tentou duas ou três vezes remover a mancha, mas o sangue não saía, em vão, ela tentou lavar  e até esfregar com sabão e areia, o sangue ainda permaneceu, porque a chave era mágica, e ela não poderia nunca fazê-la totalmente limpa, quando o sangue sumia de um lado, então, aparecia do outro.
     Barba azul retornou da sua viagem naquela mesma tarde, e disse que ele recebera cartas na estrada, informando-o que o negócio que iria resolver já estava adiantado a seu favor. Sua esposa fez tudo o que pôde para convencê-lo que ela estava extremamente feliz de seu retorno rápido. Na manhã seguinte, ele pediu a elas as chaves, que ela os deu, mas com uma mão tão trêmula que ele facilmente advinhou o que tinha acontecido.

     "Por que", disse ele, "a minha chave do closet não está entre as outras?"
     "Certamente, eu devo tê-la deixado sobre a mesa", disse ela.
     "Não se detenha em trazê-la perante mim", disse Barba azul.
     Depois de várias idas, ela foi forçada a levar a chave até ele; Barba azul, tendo muito atenciosamente observado, disse para sua esposa: "de onde vêm o sangue na chave?"
     "Eu não sei", exasperou a pobre mulher, mais pálida que a morte.
     "Você não sabe!", replicou o Barba azul, "eu sei muito bem. Você resolveu ir no closet, não foi? Muito bem, madame; você deverá ir até lá, e tomar seu lugar entre as damas que viste lá".
     Com isso, ela se atirou nos pés de seu marido, e implorou a ele perdão com todos os sinais de verdadeiro arrependimento, prometendo que ela nunca mais iria ser desobediente. Ela teria comovido uma pedra, tão linda e pavorosa ela estava, mas Barba azul tinha o coração mais duro que de qualquer pedra.
     "Você deve morrer, madame", ele disse, "e agora mesmo".
     "Já que eu devo morrer", respondeu ela (olhando para ele com seus olhos banhados em lágrimas), "me dê algum tempo para minhas orações."
     "Eu dou a você", replicou Barba azul, "um quarto de hora, mas nem um momento a mais".
     Quando ela estava sozinha, ela chamou sua irmã e disse a ela: "irmã Ana, (porque esse era o seu nome), "suba, eu lhe imploro, no topo da torre, e veja se meus irmãos não estão vindo, eles prometeram que viriam hoje, e se você os vir, faça um sinal para eles se apressarem."
     Sua irmã Anna subiu no topo da torre, e a pobre aflita esposa dizia de tempos em tempos: "Ana, irmã Ana, você vê algo vindo?"
     E a irmã Anna disse: "Eu vejo nada a não ser o sol, que faz sombra e a grama que parece verde."
     Enquanto isso, Barba azul, segurando um grande sabre em sua mão, gritou tão alto para sua esposa: "Desça aqui instantemente, ou eu irei até você"
     "Mais um momento, por favor", disse sua esposa, e então ela disse suavemente: "Anna, irmã Anna, vê alguém vindo?"
     E a irmã Anna respondeu: "Eu vejo nada a não ser o sol, que faz sombra e a grama, que é verde."
     "Venha aqui logo", exasperou Barba azul, "ou eu irei até você."
     "Estou indo", respondeu a esposa, e então ela disse: "Anna, irmã Anna, vê alguém vindo?"
     "Eu vejo", replicou a irmã Anna, "uma grande sombra, que vem desse lado aqui."
     "São meus irmãos?"
     "Ah, não, minha querida irmã, eu vejo a lã de um carneiro"
     "Você não irá descer?", gritou Barba azul.
     "Mais um momento", disse sua esposa, e então ela disse "não vê ninguém vindo?"
     "Eu vejo", ela disse, "dois cavaleiros, mas eles estão um pouco longe daqui."
     "Deus seja louvado", replicou a pobre esposa cheia de alegria, "eles são meus irmãos, eu farei para eles um sinal, conforme eu puder, para que eles se apressem."
     Então Barba azul gritou tão alto que ele fez a casa inteira tremer. A abatida esposa desceu e atirou-se aos seus pés, toda em lágrimas, com seu cabelo sobre os ombros.
     "Isso não significa nada", disse Barba azul, "você deve morrer"; então tomando-a pelo cabelo com uma das mãos, e erguendo a espada com a outra, ele se preparou para cortar a cabeça dela. A pobre dama, voltando-se para ele, e olhando para ele com aqueles olhares moribundos, desejou que lhe pudesse dar lhe um momento para que se recompusesse.
     "Não, não", ele disse, "recomende-se a Deus" e estava pronto para degolá-la...
     Nesse exato instante, houve um bater na porta tão alto que Barba azul fez uma parada repentina. A porta estava aberta, e instantemente entraram dois cavaleiros, que, desembainhando suas espadas, correram diretamente para Barba azul. Ele sabia serem os irmãos de sua esposa, um era chamado dragão, porque carregava uma carabina, e o outro um mosqueteiro, e Barba azul correu imediatamente para se salvar, mas os dois irmãos perseguiram ele de tão perto que eles o alcançaram  antes ele pudesse deixar o pórtico, quando eles levantaram suas espadas e atravessaram o corpo dele e o deixaram morto. A pobre esposa estava quase tão morta quanto o seu marido, e quase não teve força o suficiente para se levantar e receber seus irmãos.
      Barba azul não tinha herdeiros, e então sua esposa tornou-se dona de sua fortuna. Ela usou uma parte para casar sua irmã Anna a jovem nobre que ela havia se apaixonado há algum tempo; outra parte para comprar títulos de capitão para seus irmãos, e o restante para se casar com um nobre que valesse a pena, que a fez esquecer o tempo mau que passou com Barba azul. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Os seis cisnes

Os seis cisnes
Um rei estava caçando numa enorme floresta, e perseguindo a caça tão intensamente que nenhum de seus companheiros poderia segui-lo. Mas, quando a tarde se aproximou, ele parou, olhou em volta e percebeu que ele havia se perdido. Ele procurou o caminho de volta para sair da floresta, mas não podia achar nenhum, e foi então que  ele viu uma velha mulher, com uma cabeça que parecia que ficaria inclinada para sempre, e ela chegou até ele. “Minha boa mulher”, disse a ela, “pode me mostrar o caminho de volta da floresta?” “Oh, sim, minha majestade", ela respondeu, "eu posso fazer isso muito bem, mas sob certas condições, que se você não fizer, não sairá jamais da floresta, mas morrerá de fome."
"Qual é então essa condição?", perguntou o rei. "Eu tenho uma filha", disse a velha, que é tão bonita como não vai achar ninguém no mundo inteiro, e bem merece ser sua esposa. Agora, se a fizeres sua rainha, eu lhe mostrarei o caminho para sair da floresta". Na ansiedade do seu coração, o rei consentiu, e a velha mulher o levou até sua cabana, onde a filha estava sentada próximo a lareira. Ela recebeu o rei, como se o estivesse esperando, e ele viu logo que ela era muito bonita, mas embora ela não agradasse a ele completamente, porque ele não podia olhar para ela sem um horror secreto. No entanto, ele colocou a donzela no seu cavalo, e a velha mostrou a ele o caminho, e o rei chegou seguramente no seu palácio, onde o casamento seria celebrado.
O rei já havia sido casado antes, e tinha sete filhos com sua primeira esposa, seis meninos e uma menina, que ele amava mais que qualquer coisa no mundo. Logo, ele ficou com medo que a madrasta não trataria seus filhos muito bem, e poderia até machucá-los, então, ele os levou até um castelo solitário que ficava no meio de uma floresta. O castelo era tão inteiramente escondido, e o caminho tão difícil de achar, que ele mesmo não teria achado se uma mulher sábia não tivesse dado a ele uma bola de lã que tinha uma propriedade maravilhosa, quando ele jogava diante de si, ela se desenrolava e mostrava o caminho certo. O rei ia, entretanto, ver seus queridos filhos, e a rainha, notando sua ausência, tornou-se inquisitiva, e desejava saber o que ele fazia fora da floresta. Então, ela deu aos servos do rei, uma grande quantidade de dinheiro, e eles descobriram o segredo para ela, e também contaram sobre a bola de lã, que sozinha poderia mostrar-lhe o caminho. Ela não teve mais paz até que descobriu onde essa bola estava guardada. Fez, então, algumas camisas finas de algodão e, como aprendeu com sua mãe, colocou dentro de cada uma um encantamento. Um dia depois, quando o rei tinha saído para caçar, pegou as pequenas camisas e foi para a floresta, e o fio de lã mostrou a ela o caminho.
As crianças, vendo que algo que estava se aproximando à distância, pensaram que era seu amado pai, e correram cheios de alegria. Então, ela arremessou em cada um uma camisa, e conforme tocava o corpo deles, os transformava em cisnes, que saíram voando pela floresta. A rainha então voltou para casa absolutamente contente, e pensou que estava livre dos seus enteados, mas a garotinha não a encontrou conforme seus irmãos, e a rainha não sabia dela.
No dia seguinte, o rei foi visitar seus filhos, mas só encontrou a Donzela. "Onde estão seus irmãos?", perguntou ele. "Ah, querido pai", ela respondeu, "eles foram embora e me deixaram só", e ela disse a ele como viu pela janela eles sendo transformados em cisnes, que saíram voando pela floresta, e então mostrou a ele as penas que eles soltaram no jardim, e que ela recolheu. O rei ficou muito magoado, mas ele não imaginou que sua esposa poderia ter feito essa maldade toda, e como ele pensou que a menina pudesse ser roubada, ele a levou consigo. Ela estava, entretanto, com muito medo da madrasta, e implorou a ele para não ficar mais do que uma noite no castelo.
A pobre donzela pensou consigo mesma: "Esse não é mais o meu lugar. Eu vou e procurarei meus irmãos", e quando a noite chegou ela fugiu e foi direto para dentro da floresta. Ela andou durante toda a noite, e uma grande parte do dia seguinte, até que não pudesse ir mais de tanto cansaço. Então ela viu um abrigo na floresta, e encontrou um quarto com seis camas, mas ela não ousou deitar em nenhuma, mas deitou embaixo de uma delas no chão duro, preparada para passar a noite ali. Apenas quando o sol estava se pondo, ela ouviu um barulho, e viu seis cisnes brancos virem voando pela janela. Eles aterrissaram no chão e iniciaram a transformação de um e outro até que todas as penas haviam sumido, e a pele de cisne escorregou deles como uma camisa. Então a donzela os conheceu de uma vez os seus irmãos, e rapidamente levantou debaixo da cama no chão, e os irmãos não ficaram menos felizes de vê-la, mas a alegria deles foi de pouca duração. "Você não pode ficar aqui", disseram eles a ela, "aqui é um esconderijo de ladrões, se eles retornarem e encontrarem você, eles irão matar você." "Vocês não podem me proteger?" "Não", eles responderam, "nós só podemos ficar sem as penas de cisne por quinze minutos cada noite, e por esse tempo nós voltamos a nossa forma humana, mas depois disso nós voltamos a nossa nova aparência." A irmã deles perguntou então com lágrimas, "Vocês não podem voltar a ser como antes?" "Oh, não", eles responderam, "as condições são muito difíceis.  Por longos seis anos, você não deve falar, nem rir, e durante esse tempo, você deve costurar para nós seis camisas de flores, e não deverá deixar sair uma única palavra de seus lábios, porque do contrário seu trabalho será em vão". Assim que os irmãos terminaram de falar, os quinze minutos terminaram, e então eles voaram pela janela de novo como cisnes.
A pequena irmã, no entanto, fez uma solene resolução de salvar seus irmãos, ou morrer tentando, e ela deixou a cabana, e penetrando na floresta, passou a noite entre os galhos de uma árvore. Na manhã seguinte ela saiu para colher flores-estrela para costurar. Ela não tinha ninguém para conversar e para rir ela não tinha vontade, então, ela sentou-se na árvore e debruçou-se sobre o seu trabalho.  Depois que ela passou algum tempo ali, aconteceu que o Rei desse novo país estava caçando na floresta, e seu caçador percebeu na árvore que a Donzela estava sentada.
Eles a chamaram e perguntaram "quem é você?" Mas ela não deu nenhuma resposta, "venha conosco", continuaram eles, "nós não iremos te machucar". Ela simplesmente balançou a cabeça, e quando eles a pressionaram com perguntas, ela arremessou para eles o seu cordão de ouro, esperando com isso satisfazê-los. No entanto, eles não a deixaram, e ela atirou seu cinto, mas em vão! E até seu rico vestido não fez eles desistirem. Por fim, o caçador mesmo subiu na árvore e desceu com a donzela e a levou diante do rei.
O rei perguntou, "quem é você? O que faz em cima da árvore?" Mas, ela não respondeu, e então ele perguntou em todas as línguas que ele conhecia, mas permaneceu muda de todo, como um peixe. Mas, no entanto, ela era tão linda, que o coração do rei foi tocado, e ele concebeu por ela uma forte afeição.  Então ele colocou ao redor dela o seu manto, colocou-a no seu cavalo e a levou para o seu castelo. Então, ele ordenou que ricas roupas fossem feitas para ela, e embora a sua beleza brilhasse como os raios do sol, nem uma palavra escapou dela. O rei a colocou ao seu lado na mesa, e suas maneiras e gestos tão dignos venceu ele, que ele disse, "Com essa donzela eu irei casar e nenhuma outra no mundo". E depois de alguns dias, ele se casou com ela. Agora, o rei tinha uma madrasta muito má que estava descontente com o seu casamento, e falava mal da jovem rainha. "Quem sabe o que pode vir de uma criatura que não pode falar?", ela disse, "aquela que não pode falar não é digna para um rei". Um ano após, quando a rainha trouxe ao mundo seu primeiro filho, a velha mulher levou ele embora. Então ela foi até ao rei e queixou-se que a rainha era uma assassina. O rei, entretanto, não acreditou nisso, e sofreu que ninguém pudesse fazer defesa a sua esposa, que ficava compostamente costurando suas camisas e prestando atenção a nada mais. Quando uma segunda criança nasceu, a terrível madrasta usou o mesmo argumento, mas o rei de novo não ouviu suas palavras, "ela é muito piedosa e boa para agir assim, pudesse ela falar e defender-se que sua inocência viria à luz". Mas, quando de novo a velha roubou a terceira criança, e então acusou a rainha, que não respondeu uma palavra à acusação, o rei foi obrigado a desistir dela para ser julgada, e ela foi condenada a sofrer a morte pelo fogo.
Quando o tempo chegou, e a sentença seria executada, aconteceu que isso seria no mesmo dia em que seus irmãos seriam libertados, as seis camisas também estavam prontas, todas menos a última, que faltava a manga esquerda. Enquanto ela era levada para a estaca, ela colocou as camisas sob seu braço, e logo que ela ficou no alto e o fogo estava para ser aceso, ela olhou em volta e viu seis cisnes voando pelos ares. Seu coração se encheu de alegria que ela percebeu suas liberdades se aproximando, e os cisnes, voando até ela, tão perto que ela era capaz de atirar as camisas neles, e logo que ela fez isso, suas penas começaram a cair e os irmãos ficaram vivos e bem, exceto o mais novo que ficou sem seu braço esquerdo e no lugar, ele tinha uma asa de cisne. Eles se abraçaram e se beijaram um ao outro, e a rainha, indo até ao rei, que estava enormemente comovido, começou a dizer, "Agora, eu posso falar, meu querido esposo, e provo para você que sou inocente e falsamente acusada", e então ela contou a ele como a terrível madrasta havia roubado e escondido seus três filhos. Quando ela terminou, o rei estava radiante, e a terrível madrasta foi levada para a fogueira por conta da traição. O rei a rainha depois disso viveram em paz e prosperidade com seus seis irmãos.




domingo, 19 de março de 2017

Jack, o matador de gigantes

Jack O matador de Gigantes
Quando o rei Artur reinava, vivia perto das terras do Fim da Inglaterra, no ducado da Cornualha, um fazendeiro que tinha um único filho chamado Jack. Ele era ágil e vivamente tão perspicaz, que ninguém ou nada poderia derrotá-lo. Naqueles dias, a Montanha de Cornualha era habitada por um gigante chamado Cormoran. Ele tinha seis metros de altura, e quase três metros de largura, de uma aparência e força inteiramente selvagem, o terror de todas as cidades e vilarejos vizinhos. Ele vivia em uma caverna no meio da montanha, e quando ele queria comida, ele saía à procura, onde ele se alimentava como que encontrasse pelo caminho. Todo mundo corria de suas casas com medo, ele pegava de uma vez uma dúzia de bois, bem como ovelhas e porcos.
Ele havia feito isso por muitos anos, então toda Cornualha estava em desespero. Um dia, aconteceu de Jack estar na assembleia quando os magistrados reuniram-se em conselho sobre o Gigante. Ele perguntou: "Que recompensa será dada ao homem que matar Cormoran?" "O tesouro do gigante", eles responderam, "será a recompensa". Disse Jack, "então deixe para mim"
Então, ele pegou um berrante, uma pá e uma picareta, e foi para a montanha no início de tarde de inverno, quando ele começou a trabalhar, e antes da manhã, já tinha cavado sete metros de profundidade, como de largura, cobrindo como longos galhos e palha, e parecia como um terreno plano. Jack se posicionou no lado oposto e, ao nascer do dia, ele colocou o berrante na boca e tocou Tantivy, Tantivy. Esse barulho acordou o gigante, que saiu de sua caverna, exasperando-se: "Seu homenzinho incorrigível vem aqui perturbar meu descanso? Você deverá pagar por isso. Satisfação eu terei, será assim, eu vou pegar você inteiro e cozinhá-lo para o café da manhã”. Ele mal tinha completado a frase, quando caiu no buraco, e fez as fundações da montanha sacudirem. "Oh, gigante", disse Jack, "onde está você agora? Por céus, está preso onde eu certamente irei feri-lo por suas palavras ameaçadoras: o que você acha agora de me cozinhar para o café da manhã? Nenhuma outra dieta serve para você a não ser o pobre Jack?” Após ter mostrado interesse em debochar do gigante por um tempo, deu-lhe um golpe extremamente forte com sua picareta bem no alto de sua cabeça, e matou-o na hora.
Jack então encheu o buraco com terra, e foi procurar a caverna, que ele encontrou contendo muito tesouro. Quando os magistrados ouviram isso, eles fizeram uma declaração que ele deveria ser presenteado com uma espada e um cinturão, no qual estava escritos estas palavras gravadas em letras de ouro:
"Aqui está o homem valente da Cornualha
que matou o gigante Cormoran"
As notícias sobre a vitória de Jack logo se espalharam por todo o oeste da Inglaterra, e acontece que outro gigante, chamado Blunderbore, ouvindo isso, prometeu se vingar sobre Jack, se pusesse os olhos nele. O gigante era o senhor de um castelo encantado situado no meio de uma floresta solitária. Agora, Jack, tendo passado quatro meses, andava próximo a essa floresta em sua viagem para Gales, estando sonolento, sentou-se próximo a uma agradável mina de água e caiu no sono. Enquanto estava dormindo, o gigante chegando lá pela água, notou-o, e sabia que era o famoso Jack o matador de Gigante pelas linhas escritas no seu cinturão. Sem nenhum cuidado, colocou Jack nos seus ombros e carregou-o até o castelo. Agora, conforme eles passaram por umas árvores, o raspar dos galhos acordou Jack, que ficou estranhamente surpreso de encontrar-se nas costas do gigante.
Seu terror estava só começando, já que ao entrar no castelo, ele viu o chão coberto de ossos humanos e o gigante disse a ele que logo estaria entre eles. Depois que o gigante trancou Jack em um imenso quarto, saiu para convidar outro gigante, seu irmão, que vivia na mesma floresta, para partilhar a refeição que era Jack. Depois de algum tempo, Jack olhou pela janela e viu dois gigantes vindo em direção ao castelo. “Agora”, disse Jack, “minha morte ou minha liberdade está próxima”. Havia fortes cordas em um canto do quarto que Jack estava, e com duas dessas cordas, ele pegou e fez um nó forte no final, e enquanto os gigantes estavam destravando o portão de ferro do castelo, ele arremessou as cordas sobre a cabeça deles. Então ele passou o outro lado das cordas cruzando como um raio, e pulou com toda sua energia, que ele os estrangulou. Então, quando ele viu que estavam pretos no rosto, ele soltou a corda, e desembainhando sua espada, acertou os dois. Então, pegando as chaves do gigante, e destravando os quartos ele encontrou três damas  amarradas pelos cabelos de suas cabeças, quase mortas de fome. "Queridas damas", disse Jack, "eu destruí aquele monstro e seu irmão bestial e obtive suas liberdades". Dizendo isso ele presenteou-as com as chaves, e então procedeu a sua viagem para Gales.
Jack fez o melhor que pôde no seu caminho viajando tão rápido o quanto podia, mas perdeu-se, e como estava escuro, e não conseguia encontrar nenhuma habitação, até que chegando a um estreito vale, ele encontrou uma enorme casa, a fim de encontrar abrigo tomou coragem para bater na porta. Mas qual foi sua surpresa quando veio atender um gigante monstruoso com duas cabeças; ainda que não parecesse tão passional quanto os outros eram, porque ele era um gigante Welsh – o que ele fez foi esconder uma malícia secreta e particular sob uma falsa mostra de amizade. Jack, tendo contado sua condição para o gigante, foi lhe mostrado um quarto, onde, no meio da noite, ouviu seu anfitrião em outro quarto murmurando as palavras:
"Aqui veio essa noite se esconder
Mas, não verás a luz do amanhecer
Meu clube vai seus miolos comer"

"Então é isso", disse Jack, "é como um dos truques dos Welsh, eu ainda espero ser ingênuo o suficiente para você." Então, saindo da cama, ele deixou uma trouxa na cama no seu lugar, e se escondeu em um canto do quarto. No meio da noite, à certa hora, veio o gigante Welsh, que deu pesadas pancadas pensando que havia quebrado cada osso na pele de Jack. Na manhã seguinte, regozijando-se do infortúnio do gigante, Jack deu a ele seus agradecimentos pela pernoite. "Você conseguiu descansar?" disse o gigante, "não sentiu nada durante a noite?" "Não", disse Jack, "exceto uma ratazana que me deu duas ou três batidas com seu rabo". Com aquilo, maravilhado, o gigante levou Jack para o café da manhã, levando a ele uma tigela contendo 12 litros de mingau.  Jack colocou uma bolsa bem grande dentro de seu casaco, de tal modo que ele podia colocar o mingau dentro sem ser percebido. Então, dizendo ao gigante que mostraria um truque, pegando uma faca, Jack abriu a bolsa e derramou todo o mingau. Imediatamente, disse, “pode tu fazer o mesmo truque contigo?" o monstro pegou a faca, e abrindo seu ventre, caiu morto.
Aconteceu que nesses dias o filho único do rei Arthur pediu a seu pai que lhe desse uma alta quantia de dinheiro, a fim de que ele pudesse sair e procurar seu destino no principado de Gales, onde vivia uma linda dama possuída por sete espíritos maus. O rei fez o melhor para persuadir seu filho, mas em vão, então por fim, deu ao filho dois cavalos, um cheio de dinheiro e outro para que pudesse montar. Agora, depois de vários dias de viagem, chegou até uma feira em Gales, onde ele foi empurrado por  uma multidão de pessoas. O príncipe perguntou a razão daquilo, e foi lhe dito que eles arrastavam um corpo por muitas somas de dinheiro que o morto devia quando morreu. O príncipe respondeu que era uma pena que os credores deveriam ser tão cruéis e disse: "Vão enterrar o morto, e deixem os credores virem até mim, e eles serão pagos". Eles vieram, em tão grande número que antes da noite ele só tinha dois pences.
Jack o matador de Gigante, indo por aquele caminho, foi tomado pela generosidade do príncipe, que desejou ser seu servo. Assim acordados, na manhã seguinte, eles seguiram para a jornada juntos, quando eles deixavam a cidade, uma mulher idosa chamou o príncipe, dizendo: "Ele devia-me dois pences esses sete anos, peço que me pague como pagou aos outros". Colocando a mão no bolso, o príncipe deu a mulher tudo o que tinha, então depois que compraram a comida do dia que custou a pequena quantia que Jack tinha com ele, eles ficaram sem um centavo.
Quando entardeceu, o filho do rei disse: "Jack, se não temos nenhum dinheiro, onde encontraremos abrigo essa noite?" Mas Jack respondeu: "Mestre, nós ficaremos bem, eu tenho um tio que mora dentro de duas milhas de onde estamos, ele é um enorme e monstruoso gigante com três cabeças, ele lutará com quinhentos homens armados, e irá fazê-los voar pelos ares". "Oh", disse o príncipe, "o que faremos então? Ele vai nos fatiar com uma mordida. Não, somos magros o suficiente para entrar em uma das separações dos seus dentes." "Não se preocupe com isso", disse Jack, "Eu mesmo irei na frente e vou preparar o  caminho para você, assim, espere aqui até que eu retorne". Jack então partiu em alta velocidade, e chegando no portão do castelo, bateu tão alto que ele fez as montanhas próximas ressoarem. O gigante ruiu como trovão: "Quem está aí?" Jack respondeu: "Ninguém a não ser seu pobre primo Jack" Ele disse: "Quais as novidades com meu pobre primo Jack?" Jack disse: "Querido tio, más notícias, nem queira saber."
"Ah", disse o gigante, "que más notícias chegam até mim? Eu sou um gigante com três cabeças, além disso, sabes tu que eu posso lutar com quinhentos homens armados, e fazê-los voar como palha no vento”. "Oh, mas", disse Jack, "aqui está o filho de um rei a caminho com mil homens para matá-los e destruir tudo o que tem". "Oh, primo Jack", disse o gigante, "essas são más notícias de fato! Eu vou imediatamente correr e me esconder, e você feche, tranque-me lá dentro no sótão, e fique com as chaves até que o príncipe tenha ido". Tendo trancado o gigante, Jack alcançou seu senhor, e eles dormiram sobre o pobre gigante deitado, embaixo do chão. Na manhã seguinte, Jack abasteceu seu senhor com uma nova quantidade de ouro e prata e então o enviou na frente por pelo menos três milhas, até que o príncipe estivesse bem longe do cheiro de gigante. Jack então retornou, e deixou o gigante sair, que perguntou o que ele deveria dar a ele por manter o castelo longe da destruição.
“Pelo que? Eu não quero nada, a não ser aquele velho casaco e velho chapéu, junto com aquela rústica espada e chinelos que estão na cabeceira da sua cama. "Disse o gigante, "você não sabe o que pede, essas são as coisas mais preciosas que tenho. O casaco vai manter você invisível, o chapéu dirá a você tudo o que precisa saber, a espada corta absolutamente tudo que encostar, e os sapatos são de uma maciez extraordinária. Mas você foi tão serviçal comigo, assim, leve-os de todo meu coração." Jack agradeceu seu tio, então saiu com os presentes. Rapidamente ele alcançou seu senhor e eles brevemente chegaram à casa da dama que o príncipe procurava, que, pensando que o príncipe era um pretendente, preparou um esplêndido banquete para ele. Depois de concluída a refeição, ela disse que tinha uma tarefa para ele. Limpou a boca com um guardanapo, dizendo: "Você deve mostrar aquele guardanapo amanhã de manhã ou perderá sua cabeça". Com isso, ela colocou o guardanapo em seu colo. O príncipe foi para a cama em grande pavor, mas o chapéu do conhecimento de Jack informou a ele como ele obteria o guardanapo. No meio da noite, ela chamou pelos espíritos da família para a levarem até Lúcifer. Mas Jack colocou seu casaco da invisibilidade e seus sapatos de extraordinária maciez, e estava lá tão logo ela chegou. Quando ela entrou no lugar, ela deu o guardanapo para o velho Lúcifer, que colocou dentro de uma ostra, o que depois Jack pegou e levou para seu mestre, que mostrou a princesa, na manhã seguinte, e então salvou sua vida. Naquele dia, ela deu ao príncipe um beijo e disse a ele que ele deveria mostrar os lábios que ela beijara na manhã seguinte, ou perder a cabeça. "Ah", ele respondeu "se você não beijar ninguém além de mim, eu mostrarei". "Isso não importa", ela disse, "se não mostrar, a morte é a sua porção!" À meia-noite, ela saiu como de costume e estava com raiva com o velho Lúcifer por deixar o guardanapo ser encontrado. "Mas agora", disse, "eu seria muito ruim para o filho do rei, porque eu vou beijar aqui, e ele deverá me mostrar esses lábios". O que ela fez, e Jack, quando ela não já não estava mais, cortou a cabeça de Lúcifer e levou sob o seu casaco invisível para o seu senhor, que na manhã seguinte colocou-o pelos chifres diante da princesa. Isso quebrou o encantamento e o espírito do mal a deixou, e ela apareceu em toda sua beleza. Eles casaram-se na manhã seguinte, e logo depois foram para a corte do rei Arthur, onde Jack por conta de seus grandes feitos, tornou-se um dos Cavaleiros da Távola Redonda.
Jack logo saiu procurando gigantes novamente, mas ele nem tinha ido longe, quando viu uma caverna perto da entrada do que ele observou um gigante sentado sobre um bloco de lenhas, com um taco de ferro do seu lado. Seus olhos de animal eram como chamas de fogo, sua aparência repelente e feia, e suas bochechas como um par de tiras de bacon, enquanto os pelos emaranhados de sua barba pareciam voltas de arame farpado, e os cabelos que caiam sobre suas costas eram como cobras enroladas ou armadas para dar o bote. Jack desceu de seu cavalo, e colocando o casaco da escuridão, chegou perto do gigante e disse calmamente: "Oh, está aí? Não por muito tempo até que eu te pegue em cheio pela barba". O gigante que não podia vê-lo, por conta do casaco da invisibilidade, chegou mais próximo do monstro, e disferiu um golpe com sua espada na cabeça dele, mas perdendo o alvo, cortou o nariz no lugar.
Nessa hora, o gigante gritou como trovão, e começou a golpear nos lugares próximos a ele com seu taco de ferro completamente fora de controle. Mas Jack, ficando atrás, dirigiu sua espada até atingir as costas do gigante, e então ele caiu morto. Feito isso, Jack cortou a cabeça do gigante e enviou-a, com a do seu irmão também, para o rei Arthur, por uma carruagem que ele arrumou para esse propósito. Jack resolveu entrar na caverna do gigante na procura de seu tesouro, e passando por muitos túneis e entradas, ele chegou até... quarto grande ....., ... que estava um caldeirão fervendo, e do seu lado direito, uma mesa enorme que o gigante usava para comer. Então ele chegou até a janela, trancada com ferro, pela qual ele observou um vasto número de miseráveis cativos, que, ao vê-lo, gritaram, "Por Deus, jovem, você também veio parar entre nós, nesse lugar miserável?
"Sim", disse Jack, "mas, por céus, diga me qual é o sentido dessa prisão?" "Nós somos mantidos aqui", disse um, "até o tempo em que os gigantes tenham o desenho de se banquetear, e então, o mais gordo de nós é morto! E muitas são as vezes que eles tem jantado homens assassinados". "É como diz", disse Jack, e rapidamente destravou o portão e libertou-os, que logo se alegraram como homens condenados ao sinal de perdão. Então, procurando pelos cofres do gigante, ele compartilhou o ouro e a prata igualmente entre eles e levou-os até um castelo vizinho, onde eles todos eles comemoraram com banquetes a liberdade deles.
Mas, no meio disso tudo, um mensageiro trouxe notícias que Thunderbell, um gigante com duas cabeças, ouvindo falar da morte de seu parente, chegou das terras do norte para se vingar sobre Jack, e estava a uma milha do castelo, e que o povo voaria na frente dele como folhas secas. Mas Jack não estava nem um pouco amedrontado, e disse: "Deixa ele vir! Eu tenho uma ferramenta que vou quebrar os dentes dele e vocês, damas e cavalheiros, vão até o jardim, e irão testemunhar a morte e destruição de Thunderbell."
O castelo estava situado no meio de uma pequena ilha rodeado por um foço com dez metros de profundidade e seis metros de largura. , que por cima passava uma ponte. Então, Jack colocou homens para cortar essa ponte em ambos os lados, quase até o meio, e então, vestindo com seu casaco invisível, ele marchou contra o gigante com sua espada que cortava absolutamente tudo. Embora o gigante não pudesse ver Jack, ele percebeu sua aproximação, e gritou essas palavras:

"Fa, fe, fi, fo, fu, fão,
sinto cheiro do sangue de um inglês!
Esteja vivo ou esteja morto,
eu vou esmagar sua carne para pôr no pão!"

"Isso, é o que você diz", disse Jack, "então você é um monstro moleiro de fato"
O gigante gritou de novo: "Você é o vilão que matou meu parente? Então eu vou dilacerar você com meus dentes, sugar seu sangue, e reduzir seus ossos ao pó".
"Você vai ter que me pegar primeiro", disse Jack, e arremessando fora seu casaco da invisibilidade, para que o gigante pudesse vê-lo, e colocando seus sapatos de extraordinária maciez, correu do gigante, que o seguiu como um castelo que sabe andar, e todas as fundações da terra pareciam tremer a cada passo. Jack fê-lo dançar uma longa dança a fim de que os cavalheiros e as damas pudessem ver, e até quando deu, correu levemente sobre a ponte, enquanto que o gigante em alta velocidade, perseguia ele com seu bastão. Então, chegando ao meio da ponte, o grande peso do gigante quebrou-a, e ele afundou na água, onde ele rolou e se acalmou como uma baleia.
Jack, parado, riu dele por um momento, mas embora o gigante enraivecesse com sua gargalhada, e ameaçasse que Jack iria se arrepender, ele não podia sair para se vingar. Jack finalmente pegou uma corda e passou sobre as duas cabeças do gigante, e levou-o até a margem com ajuda de cavalos, e então cortou ambas as cabeças com sua espada, e enviou-as para o rei Arthur.
Depois de algum tempo em gaiatices, Jack, deixando os cavaleiros e as damas, saiu para novas aventuras. Pelas muitas florestas que passou, e ele então chegou a pisar o começo de uma montanha bem alta. Aí, tarde da noite, ele encontrou uma casa solitária, e bateu na porta, que foi aberta por um velho homem, com a cabeça tão branca quanto a neve. "Moço", ele disse, "pode dar abrigo a um viajante sem teto que se perdeu no seu caminho?", "Sim", disse o velho homem, "você é bem-vindo na minha velha cabana". Assim que Jack entrou e eles se sentaram, o velho começou a falar o que segue: "Filho, eu vejo pelo seu cinturão que você é o grande conquistador de gigantes, e veja, no topo dessa montanha está um castelo encantado, que é mantido por um gigante chamado Galligantua, e ele, com a ajuda de um velho cúmplice, atrai muitos cavalheiros e damas para o castelo, onde por mágica, eles são transformados em várias formas. Mas, acima de tudo, eu sinto o que passou com a filha de um duque, de quem eles a raptaram do jardim de seu pai, trouxeram-na pelo ar em uma carruagem puxada por dragões que cuspiam fogo, quando eles a seguraram dentro do castelo, e a transformaram em uma corça branca. E, embora, muitos cavaleiros tenham tentado quebrar o encantamento, e libertá-la, ninguém conseguiu porque duas assustadoras gárgulas estão paradas no portão do castelo e destroem qualquer um que se aproxime. Mas, você, meu rapaz, pode passar por elas sem ser descoberto,
onde sobre os portões do castelo você encontrará em letras gravadas como o feitiço pode ser quebrado". Jack deu ao velho sua mão, e prometeu a ele que na manhã seguinte ele aventuraria sua vida para libertar a dama.
De manhã, Jack levantou-se e colocou seu casaco invisível e o chapéu e os sapatos mágicos, e preparou-se para o embate. Agora, ele tinha alcançado o tempo da montanha e logo ele descobriu as duas gárgulas assustadoras, mas passou por elas sem medo, por conta de seu casaco invisível. Quando tinha passado por elas, ele descobriu sobre os portões um trompete dourado amarrado por uma corrente de prata, onde abaixo estavam gravadas estas linhas:

"Aquele que esse trompete tocar
Vai o gigante aterrorizar
que  o negro feitiço acabar
então todos felizes irão ficar."

Jack mal acabara de ler isso e tocou o trompete, o castelo tremeu até as suas fundações, e o gigante e o cúmplice ficaram em terrível confusão, mordendo o polegar e arrancando os cabelos, sabendo que o seu reino de maldades estava no fim. Então, o gigante abaixando-se para pegar seu bastão, Jack de um golpe cortou sua cabeça, e imediatamente, o cúmplice, montando no ar... Então, o feitiço foi quebrado, e todos os senhores e as damas que tinham há tanto tempo sido transformados em pássaros e feras retornaram para suas próprias formas, e o castelo desapareceu em uma nuvem de fumaça. Feito isso, a cabeça de Galligantua foi como de costume, na maneira usual, enviada para a Corte do Rei Arthur, onde, no dia seguinte, Jack seguiu, com os cavaleiros e damas que foram libertados. Imediatamente, como uma recompensa de seus bons trabalhos, o rei persuadiu o duque em dar a mão de sua filha em casamento ao honesto Jack. Então, casados eles estavam, e o reino inteiro estava cheio de alegria no casamento. Além disso, o rei ofereceu um nobre castelo a Jack, com uma linda placa mencionando o ocorrido, onde ele e sua esposa viveram em grande alegria e felicidade o resto de sues dias.

sábado, 18 de março de 2017

Maid Maleen



Maid Maleen

     Era uma vez um rei que havia tido um filho que pediu a filha de um poderoso rei em casamento; ela chamava-se Maid Maleen, e era muito bonita. Como o seu pai desejava dá-la em casamento a outro, o príncipe foi rejeitado, mas como os dois se amavam de todo coração, eles não desistiram um do outro, e a Maid Maleen disse ao seu pai: "Eu posso e não vou tomar outro como meu marido". Então, o rei enraiveceu-se e ordenou que construíssem uma torre escura, onde nenhum brilho do sol ou da lua pudesse entrar. Quando terminou, ele disse: "deverás ficar presa por sete anos, e então voltarei e verei se seu espírito perverso está mudado". Comida e bebida para sete anos foi levada com ela para dentro da torre, e então ela e sua dama de companhia foram levadas para lá e afastadas do céu e da terra. Elas ficaram na escuridão, e não sabiam quando era noite ou dia. O filho do rei frequentemente rondava a torre e chamava pelos seus nomes, mas nenhum som passava através das largas paredes. O que elas poderiam fazer a não ser lamentar e queixar-se? Enquanto o tempo passava, e pela diminuição da comida e bebida, elas sabiam que os sete anos estavam chegando ao fim. Elas pensaram que o momento de sua saída estava próximo, mas nenhum martelo quebrando as paredes foi ouvido, nenhuma pedra caiu, e parecia para a Maid Maleen que seu pai havia se esquecido dela. Como elas só tinham comida por mais alguns dias, e viu uma morte miserável aguardando por elas, Maid Maleen disse: "Nós devemos tentar nossa última chance, e ver se podemos quebrar essa parede". Ela pegou a faca para o pão, e começou a bater contra uma pedra, e quando ela ficava cansada, era a vez da sua dama de companhia. Com muito trabalho, elas conseguiram tirar uma pedra, então, uma outra, e uma terceira, e quando três dias se passaram depois que conseguiram ver a luz naquela escuridão, a abertura era tão grande que elas puderam olhar para fora. O céu estava azul e uma brisa fresca percorria seus rostos, mas quão melancólico parecia tudo ao redor. O castelo de seu pai estava em ruínas, a cidade e os vilarejos, até onde se podia ver, destruídos pelo fogo, os campos estavam selvagens, e nenhum ser humano podia ser visto. Quando a abertura na parede era o grande suficiente para elas passarem por ali, a dama de companhia passou primeiro e então a Maid Maleen a seguiu. Mas, aonde elas iriam? O inimigo havia arruinado o reino inteiro, retirado o rei, e assassinado todos os habitantes.  Elas pensaram em procurar outro país, mas em lugar nenhum acharam uma taverna, ou um ser humano para lhes dar um pouco de pão, e sua necessidade foi tão grande que elas foram forçadas a apaziguar sua fome com sementes de urtiga. Quando, depois de uma longa jornada, elas chegaram até outro país, tentaram conseguir trabalho em todo lugar, mas onde quer que batessem, eles viravam as costas, e ninguém tinha pena delas. Até que elas chegaram numa cidade grande e foram para o palácio real. Lá também disseram a elas para irem embora, mas ao menos o cozinheiro disse que poderiam ficar na cozinha e serem lavadora de pratos.
O filho do rei cujo reino elas estavam, entretanto, era o homem que havia sido rejeitado para se casar com a Maid Maleen. O seu pai havia escolhido outra noiva para ele, cujo rosto era tão feio que seu coração era muito mau. O casamento estava marcado, e a prometida já havia chegado, mas por conta de sua grande feiura, entretanto, ela escondeu-se em seu quarto, e não permitiu que ninguém a visse, a Maid Maleen ficou encarregada de levar-lhe as refeições da cozinha. Quando chegou o dia, em que a noiva e noivo iriam para a igreja, ela ficou envergonhada de sua feiura, e teve medo que caso fosse vista nas ruas, as pessoas ririam e debochariam dela. Então, ela disse a Maid Maleen, "muita sorte tem você aqui, eu torci meu pé, e não posso andar por essas ruas, vá você colocar minhas roupas de casamento e tome meu lugar, uma honra grandiosíssima da qual você não poderia ter a espera." Maid Maleen, entretanto, recusou e disse: "eu não quero honra que não é adequada a mim." Foi em vão, também, que a noiva ofereceu seu ouro. Por último, ela disse com raiva: "se você não me obedecer, isso vai custar sua vida. Só tenho que dar uma palavra, e sua cabeça estará debaixo dos meus pés." Então, ela foi forçada a obedecer, e colocou todas as roupas de noiva e joias magnificentes. Quando ela entrou no salão real, todos estavam encantados com sua grande beleza, e o rei disse a seu filho: "essa é a noiva que escolhi e quem você deve levar a igreja". O noivo estava atônito e pensou, "ela é como minha Maid Maleen e eu deveria supor que é ela mesma, mas há muito que está encerrada naquela torre, ou morta". Ele a tomou pela mão, e a levou para a igreja, No caminho, estava uma urtiga e ela disse:

“Oh, urtiga, pequena plantinha,
O que faz aí sozinha?
Sei o tempo quando comi descascada
que comi e não estava torrada”.

O que você está dizendo? perguntou o filho do rei. "Nada", ela replicou. Estava só pensando na Maid Maleen". Ele ficou surpreso que ela a conhecia mas ficou em silêncio. Quando eles chegaram até a pequena ponte no jardim da igreja, ela disse:

“ponte, não aceite de primeira
que não sou a noiva verdadeira”.

O que você está dizendo? perguntou o filho do rei. "Nada", ela replicou, "estava só pensando em Maid Maleen". "Você conheceu Maid Maleen?" "Não", ela respondeu, "como deveria eu conhecê-la, eu só ouvi dizer". Quando chegaram até porta da igreja, ela disse uma vez mais:

“Porta da igreja, não abra de primeira
que não sou a noiva verdadeira”.

O que você está dizendo? perguntou ele. "Ah", ela respondeu, eu estava só pensando na Maid Maleen. Então, ele tirou uma preciosa gargantilha, colocou em volta do pescoço dela, e prendeu com o fecho. Logo após, eles entraram na igreja e, em frente ao altar, se casaram. Ela não falou uma palavra o caminho inteiro. Quando eles chegaram de volta, ela correu para o quarto da noiva, tirou aquelas roupas magnificas e as joias, vestindo–se como a serva, e ficando com nada do casamento exceto pelo colar no seu pescoço, que ela recebeu do noivo. Quando a noite veio, e a noiva foi para o quarto do príncipe, ela deixou o seu véu sobre o rosto, assim, ele não poderia observar a decepção. Tão logo que todos se foram, ele disse a ela, "o que você disse a urtiga que estava crescendo do outro lado?" Que urtiga?" Ela perguntou. "Eu não falo com urtigas". "Se você não falou, você não é a noiva verdadeira", ele disse, então, ela pensou e disse:

"eu vou ter com a dama de companhia assim,
pois é quem guarda os pensamentos para mim”

Ela saiu e viu Maid Maleen: "garota, o que você disse para a urtiga?" "Eu disse nada, a não ser:

“Oh, urtiga, pequena plantinha,
O que faz aí sozinha?
Sei o tempo quando comi descascada
que comi e não estava torrada”.

A noiva correu de volta para o quarto, e disse, "Eu sei o que eu disse para a urtiga" e ela repetiu as palavras que ela acabara de ouvir. "Mas o que você disse a ponte quando nós passamos por ela?" perguntou o filho do rei. "A ponte?", ela respondeu. "Eu não falo com pontes". "Então, não é a noiva verdadeira". Ela de novo disse

"eu vou ter com a dama de companhia, ah, sim,
pois é quem guarda os pensamentos para mim”

E correu e achou Maid Maleen, "garota, o que disse para a ponte?" “Eu disse nada a não ser :

ponte, não aceite de primeira
que não sou a noiva verdadeira.”

"Isso vai custar-lhe a vida", exasperou a noiva, mas entrou depressa no quarto e disse "eu sei o que disse para a ponte", e ela repetiu as palavras. "Mas o que você disse para a porta da igreja?" "A porta da igreja?" replicou, "eu não falo com portas da igreja". "Então, você não é a noiva verdadeira." Ela saiu e encontrou Maid Maleen e disse: "garota, o que disse para a porta da igreja?" "Eu disse nada a não ser:

Porta da igreja, não abra de primeira
que não sou a noiva verdadeira.

"Isso valerá o seu pescoço", exasperou a noiva em uma ira terrível, mas ela voltou ao quarto, e disse "eu sei o que eu disse para a porta da igreja", e ela repetiu as palavras. "Mas, onde está a joia que eu dei a você na porta da igreja?" "Que joia?" ela respondeu, "não me deu nenhuma joia". "Eu mesmo coloquei no seu pescoço, e eu mesmo prendi com o fecho. "Se não sabe disse, então não é a noiva verdadeira." Ele tirou o véu do seu rosto, e quando ele viu aquela feiura desmedida, deu um salto para trás e disse: "quem trouxe você aqui?" Quem é você?" "Eu sou a noiva prometida, mas porque eu temi que as pessoas iriam debochar quando eles me vissem por detrás dos portões, eu mandei que a serva se vestisse com minhas roupas e mandei que fosse para a igreja no meu lugar". "Onde está a garota?" ele disse, "eu quero vê-la, vá e traga-a aqui". Ela saiu e disse para os servos que a serva de lavar os pratos era uma impostora que deviam levá-la a corte, e cortarem a cabeça." Eles agarraram Maid Maleen e queriam levá-la mas ela gritou tão alto por ajuda que o filho do Rei ouviu sua voz, correu de seu quarto e ordenou que a soltassem imediatamente. Luzes foram levadas, então ele viu a gargantilha de ouro no seu pescoço que ele havia dado na porta da igreja. "Então você é a noiva verdadeira", ele disse "que foi comigo à igreja venha para o quarto comigo agora". Quando estavam sozinhos, ele disse "no caminho para a igreja, você disse o nome Maid Maleen que deveria ter sido me dada em casamento, se eu pudesse acreditar que isso fosse possível, eu acharia que era ela que estava lá esperando por mim, porque vocé é como ela em todo aspecto." Ela respondeu, "eu sou a Maid Maleen que foi aprisionada por sete anos na escuridão, que sofreu fome e sede, que viveu na necessidade e na pobreza. Hoje, no entanto, o sol está brilhando para mim uma vez mais, eu casei na igreja e sou a noiva de direito". Então, eles se beijaram, e foram felizes o resto de suas vidas.