sábado, 18 de março de 2017

Maid Maleen



Maid Maleen

     Era uma vez um rei que havia tido um filho que pediu a filha de um poderoso rei em casamento; ela chamava-se Maid Maleen, e era muito bonita. Como o seu pai desejava dá-la em casamento a outro, o príncipe foi rejeitado, mas como os dois se amavam de todo coração, eles não desistiram um do outro, e a Maid Maleen disse ao seu pai: "Eu posso e não vou tomar outro como meu marido". Então, o rei enraiveceu-se e ordenou que construíssem uma torre escura, onde nenhum brilho do sol ou da lua pudesse entrar. Quando terminou, ele disse: "deverás ficar presa por sete anos, e então voltarei e verei se seu espírito perverso está mudado". Comida e bebida para sete anos foi levada com ela para dentro da torre, e então ela e sua dama de companhia foram levadas para lá e afastadas do céu e da terra. Elas ficaram na escuridão, e não sabiam quando era noite ou dia. O filho do rei frequentemente rondava a torre e chamava pelos seus nomes, mas nenhum som passava através das largas paredes. O que elas poderiam fazer a não ser lamentar e queixar-se? Enquanto o tempo passava, e pela diminuição da comida e bebida, elas sabiam que os sete anos estavam chegando ao fim. Elas pensaram que o momento de sua saída estava próximo, mas nenhum martelo quebrando as paredes foi ouvido, nenhuma pedra caiu, e parecia para a Maid Maleen que seu pai havia se esquecido dela. Como elas só tinham comida por mais alguns dias, e viu uma morte miserável aguardando por elas, Maid Maleen disse: "Nós devemos tentar nossa última chance, e ver se podemos quebrar essa parede". Ela pegou a faca para o pão, e começou a bater contra uma pedra, e quando ela ficava cansada, era a vez da sua dama de companhia. Com muito trabalho, elas conseguiram tirar uma pedra, então, uma outra, e uma terceira, e quando três dias se passaram depois que conseguiram ver a luz naquela escuridão, a abertura era tão grande que elas puderam olhar para fora. O céu estava azul e uma brisa fresca percorria seus rostos, mas quão melancólico parecia tudo ao redor. O castelo de seu pai estava em ruínas, a cidade e os vilarejos, até onde se podia ver, destruídos pelo fogo, os campos estavam selvagens, e nenhum ser humano podia ser visto. Quando a abertura na parede era o grande suficiente para elas passarem por ali, a dama de companhia passou primeiro e então a Maid Maleen a seguiu. Mas, aonde elas iriam? O inimigo havia arruinado o reino inteiro, retirado o rei, e assassinado todos os habitantes.  Elas pensaram em procurar outro país, mas em lugar nenhum acharam uma taverna, ou um ser humano para lhes dar um pouco de pão, e sua necessidade foi tão grande que elas foram forçadas a apaziguar sua fome com sementes de urtiga. Quando, depois de uma longa jornada, elas chegaram até outro país, tentaram conseguir trabalho em todo lugar, mas onde quer que batessem, eles viravam as costas, e ninguém tinha pena delas. Até que elas chegaram numa cidade grande e foram para o palácio real. Lá também disseram a elas para irem embora, mas ao menos o cozinheiro disse que poderiam ficar na cozinha e serem lavadora de pratos.
O filho do rei cujo reino elas estavam, entretanto, era o homem que havia sido rejeitado para se casar com a Maid Maleen. O seu pai havia escolhido outra noiva para ele, cujo rosto era tão feio que seu coração era muito mau. O casamento estava marcado, e a prometida já havia chegado, mas por conta de sua grande feiura, entretanto, ela escondeu-se em seu quarto, e não permitiu que ninguém a visse, a Maid Maleen ficou encarregada de levar-lhe as refeições da cozinha. Quando chegou o dia, em que a noiva e noivo iriam para a igreja, ela ficou envergonhada de sua feiura, e teve medo que caso fosse vista nas ruas, as pessoas ririam e debochariam dela. Então, ela disse a Maid Maleen, "muita sorte tem você aqui, eu torci meu pé, e não posso andar por essas ruas, vá você colocar minhas roupas de casamento e tome meu lugar, uma honra grandiosíssima da qual você não poderia ter a espera." Maid Maleen, entretanto, recusou e disse: "eu não quero honra que não é adequada a mim." Foi em vão, também, que a noiva ofereceu seu ouro. Por último, ela disse com raiva: "se você não me obedecer, isso vai custar sua vida. Só tenho que dar uma palavra, e sua cabeça estará debaixo dos meus pés." Então, ela foi forçada a obedecer, e colocou todas as roupas de noiva e joias magnificentes. Quando ela entrou no salão real, todos estavam encantados com sua grande beleza, e o rei disse a seu filho: "essa é a noiva que escolhi e quem você deve levar a igreja". O noivo estava atônito e pensou, "ela é como minha Maid Maleen e eu deveria supor que é ela mesma, mas há muito que está encerrada naquela torre, ou morta". Ele a tomou pela mão, e a levou para a igreja, No caminho, estava uma urtiga e ela disse:

“Oh, urtiga, pequena plantinha,
O que faz aí sozinha?
Sei o tempo quando comi descascada
que comi e não estava torrada”.

O que você está dizendo? perguntou o filho do rei. "Nada", ela replicou. Estava só pensando na Maid Maleen". Ele ficou surpreso que ela a conhecia mas ficou em silêncio. Quando eles chegaram até a pequena ponte no jardim da igreja, ela disse:

“ponte, não aceite de primeira
que não sou a noiva verdadeira”.

O que você está dizendo? perguntou o filho do rei. "Nada", ela replicou, "estava só pensando em Maid Maleen". "Você conheceu Maid Maleen?" "Não", ela respondeu, "como deveria eu conhecê-la, eu só ouvi dizer". Quando chegaram até porta da igreja, ela disse uma vez mais:

“Porta da igreja, não abra de primeira
que não sou a noiva verdadeira”.

O que você está dizendo? perguntou ele. "Ah", ela respondeu, eu estava só pensando na Maid Maleen. Então, ele tirou uma preciosa gargantilha, colocou em volta do pescoço dela, e prendeu com o fecho. Logo após, eles entraram na igreja e, em frente ao altar, se casaram. Ela não falou uma palavra o caminho inteiro. Quando eles chegaram de volta, ela correu para o quarto da noiva, tirou aquelas roupas magnificas e as joias, vestindo–se como a serva, e ficando com nada do casamento exceto pelo colar no seu pescoço, que ela recebeu do noivo. Quando a noite veio, e a noiva foi para o quarto do príncipe, ela deixou o seu véu sobre o rosto, assim, ele não poderia observar a decepção. Tão logo que todos se foram, ele disse a ela, "o que você disse a urtiga que estava crescendo do outro lado?" Que urtiga?" Ela perguntou. "Eu não falo com urtigas". "Se você não falou, você não é a noiva verdadeira", ele disse, então, ela pensou e disse:

"eu vou ter com a dama de companhia assim,
pois é quem guarda os pensamentos para mim”

Ela saiu e viu Maid Maleen: "garota, o que você disse para a urtiga?" "Eu disse nada, a não ser:

“Oh, urtiga, pequena plantinha,
O que faz aí sozinha?
Sei o tempo quando comi descascada
que comi e não estava torrada”.

A noiva correu de volta para o quarto, e disse, "Eu sei o que eu disse para a urtiga" e ela repetiu as palavras que ela acabara de ouvir. "Mas o que você disse a ponte quando nós passamos por ela?" perguntou o filho do rei. "A ponte?", ela respondeu. "Eu não falo com pontes". "Então, não é a noiva verdadeira". Ela de novo disse

"eu vou ter com a dama de companhia, ah, sim,
pois é quem guarda os pensamentos para mim”

E correu e achou Maid Maleen, "garota, o que disse para a ponte?" “Eu disse nada a não ser :

ponte, não aceite de primeira
que não sou a noiva verdadeira.”

"Isso vai custar-lhe a vida", exasperou a noiva, mas entrou depressa no quarto e disse "eu sei o que disse para a ponte", e ela repetiu as palavras. "Mas o que você disse para a porta da igreja?" "A porta da igreja?" replicou, "eu não falo com portas da igreja". "Então, você não é a noiva verdadeira." Ela saiu e encontrou Maid Maleen e disse: "garota, o que disse para a porta da igreja?" "Eu disse nada a não ser:

Porta da igreja, não abra de primeira
que não sou a noiva verdadeira.

"Isso valerá o seu pescoço", exasperou a noiva em uma ira terrível, mas ela voltou ao quarto, e disse "eu sei o que eu disse para a porta da igreja", e ela repetiu as palavras. "Mas, onde está a joia que eu dei a você na porta da igreja?" "Que joia?" ela respondeu, "não me deu nenhuma joia". "Eu mesmo coloquei no seu pescoço, e eu mesmo prendi com o fecho. "Se não sabe disse, então não é a noiva verdadeira." Ele tirou o véu do seu rosto, e quando ele viu aquela feiura desmedida, deu um salto para trás e disse: "quem trouxe você aqui?" Quem é você?" "Eu sou a noiva prometida, mas porque eu temi que as pessoas iriam debochar quando eles me vissem por detrás dos portões, eu mandei que a serva se vestisse com minhas roupas e mandei que fosse para a igreja no meu lugar". "Onde está a garota?" ele disse, "eu quero vê-la, vá e traga-a aqui". Ela saiu e disse para os servos que a serva de lavar os pratos era uma impostora que deviam levá-la a corte, e cortarem a cabeça." Eles agarraram Maid Maleen e queriam levá-la mas ela gritou tão alto por ajuda que o filho do Rei ouviu sua voz, correu de seu quarto e ordenou que a soltassem imediatamente. Luzes foram levadas, então ele viu a gargantilha de ouro no seu pescoço que ele havia dado na porta da igreja. "Então você é a noiva verdadeira", ele disse "que foi comigo à igreja venha para o quarto comigo agora". Quando estavam sozinhos, ele disse "no caminho para a igreja, você disse o nome Maid Maleen que deveria ter sido me dada em casamento, se eu pudesse acreditar que isso fosse possível, eu acharia que era ela que estava lá esperando por mim, porque vocé é como ela em todo aspecto." Ela respondeu, "eu sou a Maid Maleen que foi aprisionada por sete anos na escuridão, que sofreu fome e sede, que viveu na necessidade e na pobreza. Hoje, no entanto, o sol está brilhando para mim uma vez mais, eu casei na igreja e sou a noiva de direito". Então, eles se beijaram, e foram felizes o resto de suas vidas.

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